Uma vaga de SDR no Abacate Pay recebeu duas candidaturas nos primeiros cinco minutos, vindas de um story publicado às 17h41 com prazo de 30 minutos. Esse episódio mostra como entrar em uma startup: quem age rápido, pesquisa a empresa e se comunica direto sai na frente de quem só envia currículo.
Como entrar em uma startup: ação antes de tudo
Você entra em uma startup agindo rápido e demonstrando interesse real pela empresa, não enviando mais um currículo genérico. Foi o que mostrou um episódio de maio de 2026 no Abacate Pay, fintech brasileira de meios de pagamento com cerca de um ano de vida naquele momento: o time abriu uma vaga de SDR (profissional de pré-vendas que prospecta clientes) publicando um story com um prazo de 30 minutos e um número de WhatsApp direto.
A lição central do vídeo, gravado pelo canal do Daniel Lima, não é o truque do story. É a decisão de parar de planejar e simplesmente executar. O time definiu a missão às 17h41 e em 20 minutos já tinha publicado a vaga. Nas primeiras respostas, o número ficou aberto para candidatos e, segundo o próprio registro do vídeo, duas pessoas chamaram nos cinco minutos iniciais.
Este artigo transforma esse episódio em um método: o que o time do Abacate Pay fez, o que procuram em um candidato e os passos que você pode repetir hoje para conseguir uma vaga em uma startup, de vendas ou de qualquer área.
O experimento de contratação do Abacate Pay
O Abacate Pay (abacatepay.com) precisava de um SDR para o time de vendas e resolveu testar um processo de contratação em tempo real. Em vez de anúncio formal, o cofundador postou nos stories que quem morasse em Jacareí ou São José dos Campos, no interior de São Paulo, tinha 30 minutos para mandar mensagem em um número divulgado no próprio story. Quem ligasse, seria atendido.
Durante o processo, o time debate abertamente os filtros: limitar a vaga por cidade para enxugar o volume de candidatos, transformar a conversa em algo público e documentar tudo. A gravação captura até a confusão no meio do story, quando alguém fala em "130 minutos" antes de corrigir para os 30 minutos combinados no WhatsApp. A vaga ofertada era para trabalhar diretamente com os fundadores em um mês de teste na área de vendas, com preferência declarada para candidatos das duas cidades, embora o story deixasse claro que gente de qualquer lugar podia se candidatar.
O episódio também mostra o contraponto. Um dos envolvidos relata que na empresa anterior mandou currículo, foi recusado por e-mail e depois escreveu diretamente para um executivo da empresa pedindo uma conversa. Conseguiu a chance, trocou ideia e foi contratado. Dois caminhos, dois resultados: o processo formal que filtra e a abordagem direta que abre porta.
Por que ação importa mais que currículo
Startups enxutas contratam por sinal de execução. Um candidato que pesquisa a empresa, identifica a dor e manda uma mensagem específica já demonstrou, na prática, a habilidade principal de um vendedor: entender o cliente antes de oferecer algo. Em um processo com dezenas de currículos idênticos, esse sinal vale mais do que qualquer linha de experiência no PDF.
No vídeo, os envolvidos resumem o critério em uma frase: o que mais muda uma conversão é o candidato demonstrar que pesquisou. O insight não precisa ser genial. Precisa existir. Quando um candidato chega citando um comentário que o contratante fez no LinkedIn ou uma necessidade que ele mesmo publicou, a conversa começa em outro nível.
E o medo de parecer arrogante? O próprio time discutiu isso antes de publicar o story. A conclusão foi que quem quer de verdade responde; quem não quer, ignora. Publicar mesmo assim foi, para eles, mais um exercício de ação do que uma estratégia de marketing.
Passo a passo para conseguir a vaga
O vídeo termina com um roteiro direto, dado por quem faz a contratação. Os passos funcionam para vendas e se adaptam a áreas técnicas:
- Entenda o cenário da empresa. Abra a página da startup no LinkedIn e o site oficial. Veja quantos funcionários tem, quem são, se já existe time de vendas ou de desenvolvimento e qual problema o produto resolve.
- Ache quem contrata. Identifique o perfil da pessoa responsável pela vaga. Nos comentários e posts dela, aparece o que ela valoriza e o que a empresa está buscando agora.
- Estude o conteúdo do contratante. Veja os posts que ele publica, os que ele curte e o que comenta. Esse material revela a dor real do time.
- Monte uma mensagem personalizada. No vídeo, a sugestão foi literal: junte os prints em uma ferramenta de IA, peça uma mensagem no tom daquela pessoa e revise antes de enviar. Cite a vaga, mostre que entendeu a necessidade e diga o que você entregaria.
- Envie pelo canal menos disputado. Todo mundo manda mensagem no Instagram. Poucos escrevem no LinkedIn com contexto, o "LinkedInzão" citado no vídeo. Um caminho diferente reduz concorrência na caixa de entrada.
- Peça uma conversa curta, não um emprego. O exemplo citado no vídeo foi um pedido simples de troca de ideia depois de uma recusa. Menos pressão, mais chance de resposta.
O que os fundadores avaliam no candidato
Curiosidade e interesse demonstrado foram os dois critérios que apareceram com mais força no episódio. Para a vaga de SDR, o time planejava uma conversa mais criteriosa que o habitual: nada de teste formal, mas perguntas para checar se o candidato conhece o básico de vendas, técnicas e vocabulário da área.
Há também um ponto honesto sobre remuneração. Um dos fundadores achava o salário baixo; o outro rebateu citando o próprio primeiro emprego, com remuneração de R$ 2.000, e a diferença de contexto de quem antes ganhava 40.000 em dólar nos Estados Unidos. A discussão não resolve a questão do valor, mas mostra o que esperar de um mês de teste em uma startup em estágio inicial: pacote enxuto, aprendizado alto e contato direto com os fundadores.
O episódio ainda rendeu uma indicação de fora. Um conhecido do time, que já tinha um gateway de pagamento próprio e tinha processado 270 milhões na plataforma, apareceu nas conversas como exemplo de quem construiu reputação antes de precisar dela. É o mesmo princípio aplicado por criadores que documentam a jornada, como o Gustavo Dev Doido no Bootcamp do Dev Doido e as comunidades em torno do Crazystack Typescript (crazystack.com.br): quem constrói e publica prova de trabalho reduz a necessidade de acreditar só no currículo.
Construir em público: o atalho de longo prazo
A conclusão do vídeo vai além da vaga: foca em construir em público. Documente sua jornada, grave o que você faz, mostre o processo. Segundo o argumento do time, ninguém para na rua para assistir, mas a audiência acumulada vira um ativo: depois você vende qualquer coisa, inclusive uma vaga. No caso deles, a própria vaga foi vendida por um story.
Construir em público funciona porque substitui a promessa por evidência. Um candidato que publica o que aprende, os projetos que fez e as decisões que tomou chega na conversa com provas. Um candidato que só envia PDF chega com afirmações. Diante de dois sinais, o contratante escolhe o que pode verificar.
Preciso morar na cidade da startup para ser contratado?
No episódio do Abacate Pay, a preferência por Jacareí e São José dos Campos existia para facilitar o trabalho presencial, mas o próprio story dizia que candidatos de qualquer lugar do mundo podiam se candidatar. Startups remotas relaxam esse filtro; as presenciais, não.
Mandar mensagem direta para o fundador não é invasivo?
No caso citado no vídeo, uma mensagem direta após uma recusa formal resultou em contratação. O que separa insistência útil de incômodo é o conteúdo: mensagem curta, específica, que mostra pesquisa e pede uma conversa, não um emprego.
LinkedIn ou Instagram para abordar a startup?
O próprio contratante respondeu: LinkedIn, porque quase ninguém usa esse canal com contexto, enquanto o Instagram recebe mensagem de todo mundo. O canal menos disputado com mensagem melhor preparada tem mais chance de resposta.
O salário em startup sempre é baixo?
O vídeo registra a discussão interna sobre pagar pouco em um mês de teste de SDR, com um primeiro emprego citado a R$ 2.000. Valores variam por estágio, área e modelo de trabalho; o que o episódio mostra é que teste inicial costuma pagar menos que posição efetivada.
Essa estratégia serve para vagas de tecnologia também?
Segundo os próprios participantes do vídeo, sim: demonstrar curiosidade e interesse pesa tanto para dev quanto para vendas. Para dev, a evidência costuma ser projeto público ou contribuição, além da mensagem pesquisada.
Quanto tempo leva para ver resultado com essa abordagem?
No experimento, as duas primeiras candidaturas chegaram em cinco minutos. No longo prazo, o retorno vem da constância: audiência e reputação acumuladas em meses de construção pública encurtam qualquer processo seletivo futuro.
Transforme sua jornada em conteúdo escrito
A tese do vídeo é que documentar o que você faz abre portas: a vaga do Abacate Pay nasceu de um story gravado em 2026, e o conselho final foi registrar e mostrar a jornada. Se você tem esse tipo de conhecimento em vídeos, uma experiência de contratação, uma aula, uma entrevista no YouTube —, você pode transformar esse material em um artigo estruturado e pesquisável. O fluxo é direto: você entra no Skala Blog, cola o link do vídeo do YouTube, gera a transcrição e recebe um artigo pronto para revisar e publicar. Cada conversa gravada pode virar um texto que trabalha por você enquanto você toma a próxima ação.
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